MILITARES DE PORTUGAL
Caro visitante/caro membro,desde já lhe dou as boas vindas a este fórum (que se encontra em construção) de homenagem às Forças Armadas Portuguesas e a todos os seus ex e actuais valorosos militares que asseguraram e asseguram a independência deste nosso Portugal.Tem ainda como finalidade,proporcionar a transmissão de conhecimentos entre as várias gerações de militares bem como pretende ser um espaço de convivio entre as mesmas.Espero que disfrute deste espaço e que o mesmo seja do seu agrado pois ele também é seu.
Um bem haja.

MILITARES DE PORTUGAL

FORÚM DE HOMENAGEM ÁS FORÇAS ARMADAS PORTUGUESAS
 
InícioCalendárioFAQBuscarRegistrar-seLogin
Compartilhe | 
 

 Guiões / Crachás e breve história de Unidades de Cavalaria no Ultramar

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo 
AutorMensagem
NE
Admin
Admin


Mensagens: 110
Data de inscrição: 21/05/2009
Idade: 40
Localização: Margem Sul

MensagemAssunto: Guiões / Crachás e breve história de Unidades de Cavalaria no Ultramar   Sab Out 17, 2009 7:11 pm

Neste tópico,irão sendo colocados guiões e crachás bem como breves histórias de Unidades de Cavalaria no Ultramar


Última edição por NE em Sab Out 17, 2009 7:18 pm, editado 1 vez(es)
Voltar ao Topo Ir em baixo
http://militaresportugal.forumeiros.com
NE
Admin
Admin


Mensagens: 110
Data de inscrição: 21/05/2009
Idade: 40
Localização: Margem Sul

MensagemAssunto: Companhia de Cavalaria 2332-"Os Milhafres"   Sab Out 17, 2009 7:14 pm



A partir de 19 de Junho de 1967, militares procedentes de vários locais da Metrópole ( predominantemente da área da Grande Lisboa ) começaram a apresentar-se no Regimento de Cavalaria 7 aquartelado na Ajuda em Lisboa.Houve militares que, por razões da sua especialidade, se apresentaram mais tarde.No período compreendido entre os meses de Agosto a Outubro de 1967, o pessoal interessou-se pelas diversas fases da formação da unidade, tais como a Escola de Quadros, Escola de Cabos e instrução complementar, começando a criar espírito de corpo entre todos os elementos da Companhia, sob o comando do Capitão Miliciano de Cavalaria Joaquim Peixinho.
No ínicio de Novembro de 1967, a Companhia efectuou várias deslocações ao Campo de Tiro na Serra da Carregueira, para a prática de tiro real.No período compreendido entre 20 e 28 de Novembro de 1967 a unidade efectuou a semana de campo na Fontes da Telha ( Costa da Caparica ). Foram realizados exercícios para o apronto operacional da unidade. Registamos que, enquanto estivemos acampados, mais precisamente no dia 26 de Novembro, fomos surpreendidos por um temporal com níveis anormais de pluviosidade, originando inundações em toda a bacia do Rio Tejo, provocando cerca de 500 mortos, segundo a imprensa da época.Durante o mês de Dezembro de 1967, a unidade recebeu o I.A.O na Fonte da Telha ( Costa da Caparica ) reforçando a sua operacionalidade.Nessa ocasião, aconteceu a primeira « baixa » da unidade. Por motivos médicos, o seu comandante, o Capitão Miliciano de Cavalaria Joaquim Peixinho foi substituido pelo Capitão Miliciano de Artilharia Narciso Júlio Loureiro de Sousa, que pretendendo implementar incentivos operacionais em moldes bastante diferentes do anterior comando, originou um certo resfriamento aos seus subordinados. No quadro orgânico, houve também baixas de pessoal, com desmobilizações por motivos médicos, transferências para Unidade de Comandos e outras Companhias.
No início de Janeiro de 1968, a Companhia foi oficialmente informada que tinha sido nomeada para servir no Ultramar, na Região Militar de Angola ( RMA ). A Companhia foi então transferida do Regimento de Cavalaria 7, para umas instalações militares de Artilharia Anti- Aérea Fixa localizada em Murfacém ( Trafaria ), onde ficou a aguardar o embarque para o Ultramar. Neste período, houve mais duas baixas ao quadro orgânico, com o impedimento do 1º.Sargento de Cavalaria Marques dos Santos, que deu entrada na Escola de Quadros Regimentais, e do 2º. Sargento de Cavalaria Laranjeira, por motivo de desastre de viação.A CCAV. 2332, ficou então constituída pelo seu Comandante Capitão Miliciano de Artilharia Narciso Júlio Loureiro de Sousa, 4 Oficiais Milicianos Atiradores de Cavalaria, 14 Sargentos, 33 Cabos e 102 Soldados, totalizando 154 militares.Em 27 de Janeiro de 1968 no Cais da Rocha de Conde de Óbidos, em plena formatura, os militares foram abordados por elementos do Movimento Nacional Feminino ( MNF ) que distribuiam aerogramas ( vulgo « bate-estradas » ) e maços de tabaco.De seguida, numa cerimónia de despedida, efectuou-se um desfile militar, sendo prestada a continência e devidas honras militares ao Excelentíssimo Oficial General, em representação de Sua Excelência o Ministro do Exército, a Companhia embarcou pelas 12h00 no navio « Uíge » com destino a Luanda.No período entre 27 de Janeiro e 08 de Fevereiro, foi efectuada viagem a bordo do navio « Uíge » sem incidentes a registar.No dia 08 de Fevereiro de 1968, chegada a Luanda, desembarque do pessoal e transporte em caminho de ferro para o Campo Militar do Grafanil ( Campo Militar de apoio logístico nos arredores da capital ).A 09 de Fevereiro de 1968, a Companhia participou numa parada militar a que assistiu Sua Excelência o General Comandante da Região Militar de Angola, que dirigiu palavras de encorajamento para todos e bons êxitos no dever da missão incumbida.Na parada do aquartelamento e em plena formatura, sob um calor tórrido, houve elementos das várias Companhias que perderam os sentidos e tiveram que ser assistidos. No período compreendido entre 09 e 15 de Fevereiro de 1968, no Grafanil, a Companhia procedeu ao levantamento de diverso material necessário para a sua missão.
Em 16 de Fevereiro de 1968, a unidade recebeu ordem de marcha para a sua Zona de Intervenção ( ZI ), tendo-se deslocado via Malange, em coluna militar composta por 10 viaturas civis fretadas.No dia 18 de Fevereiro de 1968 a coluna militar, chegou ao seu primeiro destino Caúngula , onde pernoitou. Desde logo tomando posse desse destacamento, ficou na povoação um Grupo de Combate ( GC ) sob o comando do Alferes Miliciano de Cavalaria Vasco Ferraz Figueiredo.Em 19 de Fevereiro de 1968, os restantes elementos da Companhia, chegaram à sede da unidade no Camaxilo.No dia seguinte, 20 de Fevereiro de 1968, efectuou-se a partida de um Grupo de Combate ( GC ) com destino ao Cuílo para assumir a posse desse destacamento sob o comando do Alferes Miliciano de Cavalaria António Abreu Pires Pereira.
Durante a semana de 20 a 27 de Fevereiro de 1968, foi efectuada a sobreposição e a rendição da Companhia de Caçadores 1519 comandada pelo Capitão de Infantaria Salcedas da Cunha.A organização da CCAV. 2332 ficou composta pela Sede localizada na povoação do Camaxilo, onde estavam dois Grupos de Combate ( GC ), o Comando e Serviços da Companhia, e pelos Destacamentos de Caúngula e Cuílo que distavam 40 e 140 kms respectivamente do Camaxilo.A Zona de Intervenção ( ZI ) abrangia uma área aproximada de 30.000 Km2, com uma grande extensão de fronteira com a República Democrática do Congo ( RDC ). No Camaxilo, além da unidade militar, existia o Aeródromo de Manobra nº.42 ( AM.42 ) da Força Aérea Portuguesa, com um pequeno grupo de militares especialistas, sob o comando de um Alferes. Semanalmente, invariavelmente ás quartas-feiras aterrava um avião da FAP ( DO.27 ou PV-2 ) trazendo correio, e géneros frescos ( carne e peixe ) transportados em caixas isotérmicas. Para que conste, na maior parte das vezes, os ditos « géneros frescos » eram de imediato incinerados e elaborado autos de abate e destruição. Na Sede da Companhia e nos respectivos Destacamentos, sempre que fosse necessário, o pessoal socorria-se com o abate de algumas espécies da fauna local ( cabras de mato e palancas ) para melhoria do rancho geral.Em Março de 1968, integraram o quadro orgânico da Companhia, preenchendo vagas em aberto, o 1º. Sargento de Cavalaria João Pereira, o 2º. Sargento de Cavalaria José Canhão Grenho e o Furriel Miliciano Manuel Carrapichano de Oliveira que foi ocupar a falta existente no 4º. Grupo de Combate ( GC ).No mês de Abril de 1968, efectivou-se a substituição do Capitão Miliciano Médico Duarte Henrique Marques pelo Alferes Miliciano Médico Jorge Henrique Simões Abrantes Frazão de Aguiar. Ainda neste mesmo mês, o Comandante da Companhia, Capitão Miliciano de Artilharia Narciso Júlio Loureiro de Sousa foi exonerado do comando da unidade pelo Comandante do Batalhão de Caçadores 1892 Tenente Coronel de Infantaria Segismundo da Conceição Revés. Interinamente, assumiu o comando da unidade, o Alferes Miliciano de Cavalaria Hernâni Duarte da Silva Rodrigues, por impedimento médico do então nomeado Capitão Rui Fernando Leal Marques. Também, ocorreu a exoneração do Furriel Miliciano do SAM Arlindo da Silva Miguel.Durante o período compreendido entre os meses de Março e Abril , a Companhia preocupou-se em reconhecer a sua zona de intervenção patrulhando intensamente a área, quer em viaturas, quer apeada com uma secção ou um grupo de combate, percorrendo picadas e controlando a região junto à fronteira com a República Democrática do Congo. O terreno, uma região planáltica, não apresentava de uma maneira geral grandes relevos, excepção feita à zona do Zôvo ( Mabetes ) que era recortada por inúmeros braços de rio, alguns de forte caudal, correndo de Sul para Norte. Os meios de comunicação eram péssimos, devidos ao mau estado das picadas, da natureza arenosa e a existência de inúmeros pântanos. Abundantes pontes, feitas com troncos de árvores em péssimo estado de conservação, cuja passagem era sempre arriscada. Na zona do destacamento do Cuílo, era necessário atravessar o rio numa jangada composta por várias canoas ou pirogas indígenas interligadas entre si, sustentando um pranchamento onde embarcavam as viaturas e o respectivo pessoal. A vegetação de uma maneira geral era aberta, excepção feita à zona do Zôvo e num determinado local da picada Camaxilo/Cuílo onde a mata era muito alta e fechada.Em Maio de 1968, a Companhia continuou a preocupar-se com o reordenamento das populações civis, agrupando-as em grandes aldeamentos ( sanzalas ), tornando mais acessível o seu controle pelas nossas tropas ( NT ), facilitando às populações o acesso às lavras de mandioca e ao abastecimento de lenha e água, e principalmente à sua auto defesa.No dia 13 de Maio de 1968, apesar das constantes patrulhas efectuadas pelas nossas tropas ( NT ), um grupo do Exército de Libertação Nacional de Angola ( ELNA ) entrou em ( TN )Território Nacional na zona de Caúngula e atacou uma viatura civil ( Land-Rover ) matando dois civís ( um branco e um negro ) no itinerário Caúngula/Camaxilo, tendo a companhia reagido prontamente, embrenhando-se na mata e controlando os itinerários principais, capturou diverso material subversivo e munições, conseguindo o inimigo ( IN ) atravessar a fronteira para a República Democrática do Congo e alojar-se no quartel fronteiriço de Shauianga.No mês de Junho de 1968, a unidade preocupou-se em recuperar elementos da população civil que tinham fugido para a República Democrática do Congo ( RDC ) por aliciamento da UPA ( União dos Povos de Angola ), ajudando-os na reconstrução dos aldeamentos e na acção psico-social. Esse procedimento, obrigou as nossas tropas ( NT ) a um constante vai e vém nas zonas afectadas. Contudo, um grupo do inimigo ( IN ) sob o comando de « Noé » ( guerrilheiro da UPA ) voltou a atacar ( na zona da primeira emboscada ), uma viatura da PIDE/DGS, tendo ferido ligeiramente um dos elementos « Flechas », utilizando no ataque lança granadas foguete, espingardas automáticas e granadas. As nossas tropas ( NT ) reagiram prontamente, tendo interceptado parte do grupo inimigo ( IN ) capturando diverso material subversivo e ferindo gravemente um dos comandantes do inimigo ( IN ). Outra parte do grupo inimigo ( IN ) conseguiu fugir para a República Democrática do Congo, tendo raptado a população do Muazanza e destruido os seus haveres.Em Julho de 1968, a Companhia redobrou a sua acção operacional, tendo novamente o grupo do « Noé » sublevado a sanzala Funda ( perto do Zôvo ) ameaçando e obrigando a população a fugir para a República Democrática do Congo, tendo levado guias com a mesma finalidade para a sanzala Monamena ( itinerário Caúngula-Zôvo ). Contudo, a população deste último aldeamento comportou-se dignamente, seguiu bem as instruções dadas pelas nossas tropas ( NT ), quer refugiando-se nas matas, quer avisando o destacamento militar de Caúngula, conseguiu por em debandada o inimigo ( IN ) que conseguiu atravessar a fronteira.
No início do mês de Agosto de 1968, um grupo inimigo ( IN ) da UPA ( União dos Povos de Angola ) constituidos por cerca de 30 a 40 elementos sob o comando de « Noé » saindo do seu aquartelamento em Shauianga na RDC ( República Democrática do Congo ) entrou em Território Nacional ( TN ) utilizando trilhos pouco usuais, caminhando ao abrigo da noite, instalou-se numa colina com uma cota superior á do aquartelamento do Camaxilo, e flagelou sem consequência a unidade, a zona comercial ( Teixeira & Lemos ) e posto administrativo com granadas de morteiro 60 e 82mm de origem chinesa. Perante a ousadia do acto, a nossas tropas ( NT ) correndo para os abrigos, responderam ao fogo com rajadas de metralhadoras MG34 ( Dreyse ) e Breda e tiros de morteiro 60mm. Foi lançada inadvertidamente uma granada iluminante ( very-light ) que, por arrastamento do vento veio a posicionar-se à vertical da unidade. Felizmente, mais tarde ao serem aprisionados e interrogados pela PIDE/DGS, alguns elementos do inimigo ( IN ) confessaram ter interpretado o lançamento do « very-light » como um sinal para as nossas tropas ( NT ) no exterior e na proximidade do local de ataque, o que originou de imediato a sua fuga em direcção à fronteira, enterrando os pratos de apoio dos morteiros para agilizar a fuga. Nesta operação, os elementos confirmaram à PIDE, o ferimento do chefe do grupo « Noé ».Na acção psico social e reordenamento das populações, a acção das nossas tropas ( NT ) foi relevante, conseguindo-se resultados muito positivos com o regresso das populações, excepto à do Zôvo, Funda e Tximinha ( região de Caúngula ). De salientar a captura na mata de diversos elementos civis pertencentes ao Congo ( Kinshasa ).
Notou-se também uma melhoria nos abastecimentos de material e géneros frescos à companhia pelo P.INT ( Pelotão de Intendência ) e FAP ( Força Aérea Portuguesa ) elevando os níveis do moral dos militares. Registou-se também uma baixa no Quadro Orgânico da Unidade, o 1º. Cabo António Joaquim da Silva Carvalho, motivada por desastre em serviço numa escolta, tendo sido evacuado para o HMP. Efectuaram-se diversas inspecções de Contabilidade e outros assuntos de Secretaria, assim como várias visitas do Tenente Coronel de Infantaria Segismundo da Conceição Revés, comandante do Batalhão de Caçadores 1982.Durante o mês de Setembro de 1968, houve um reforço dos patrulhamentos, destacando-se o bom empenho no controle das populações civis e a obtenção de informações pelas secções do Destacamento do Cuílo sob o comando do Alferes Miliciano de Cavalaria António Abreu Pires Pereira, que se refletiu na resposta enérgica da sanzala Caúngula ( Cuílo Velho ) repelindo um ataque dos bandoleiros do grupo « Noé » provocando dois mortos e dois feridos nas hostes inimigas, fugindo os restantes elementos para os seus santuários na República Democrática do Congo ( RDC ).
Numa operação secreta, para o ataque a Shauianga onde se localizava o acampamento base do inimigo ( IN ) em território da República Democrática do Congo ( RDC ), um avião de transporte militar ( Nord 2501-F Noratlas com o registo de matrícula nº. 6404 ) da Força Aérea Portuguesa ( FAP ), aterrou ao final da tarde na pista do Aeródromo de Manobra ( AM42 ) no Camaxilo, e desembarcou um contingente de tropas « fiéis » catanguesas, que de imediato foram transportadas em viaturas Unimog para a parada da unidade e posteriormente encaminhados para o refeitório, onde lhes foi servida uma refeição quente. Equipados com fardamento, armamento e munições não usado pelas tropas portuguesas, foram pela calada da noite, acompanhados por elementos da PIDE/DGS e com escolta de dois grupos de combate das nossas tropas ( NT ), deixados na fronteira com a República Democrática do Congo ( RDC ). As nossas tropas ( NT ), fazendo cobertura de apoio ao regresso aos elementos catangueses, posicionaram-se na fronteira, emboscando trilhos pedonais usados habitualmente pelos bandoleiros. O relatório da operação, refere inúmeras baixas causadas ao grupo da UPA.No mês de Outubro de 1968, a Companhia continuou a patrulhar a zona fronteiriça, desta vez com duas secções e elementos fiéis da população civil da região de Caúngula, tendo havido reencontros com o inimigo ( IN ), causando-lhe baixas e destruindo o seu acampamento. Houve neste período mudança no comando da Companhia, ocasionando oscilação no seu modo de actuar no terreno. O pessoal rápidamente se adaptou, contribuindo para mais alguns êxitos operacionais neste período.A Companhia, deixou de ser comandada interinamente pelo Alferes Miliciano de Cavalaria Hernâni Duarte da Silva Rodrigues, passando o comando a ser exercido também interinamente pelo Capitão de Infantaria Luis Armando Florenço Tovar de Lemos.No início de Novembro de 1968, novas operações com a colaboração de elementos fiéis da população civil, registaram êxitos na zona anteriormente referida e agora também em Canzage.Nova alteração no comando da Companhia, saindo o Capitão de Infantaria Luis Armando Florenço Tovar de Lemos por impedimento psiquico, e entrando o Capitão de Infantaria Manuel Carreiro Barbosa. Apesar do curto espaço de tempo que este oficial comandou a unidade, conseguiu implementar aos seus subordinados, um espírito de trabalho, disciplina e moral, proporcionando mais regalias ( alimentação e viaturas ) do Comando do Batalhão, Intendência e Comando da Zona Militar Leste ( ZML ).Mais uma vez houve alteração no comando da unidade, motivado pela transferência Capitão de Infantaria Manuel Carreiro Barbosa para uma outra unidade, tendo sido nomeado o Capitão de Infantaria Rui Fernando Leal Marques que alegando também impedimento psíquico, foi de imediato substituido pelo Capitão de Artilharia José Henrique Rola Pata. De notar que neste período, registaram-se algumas baixas no Quadro Orgânico da Companhia, com bastantes militares em consulta externa.
Começou, nos inícios de Dezembro de 1968, a Companhia a adaptar-se aos procedimentos do novo Comandante que, apoiado pelas informações da PIDE/DGS e pelas informações militares, implementou uma maior dinâmica operacional, dando uma maior visibilidade do empenho junto das populações civis, ajudando-os na reconstrução de sanzalas e prestando o apoio psico-social. Neste período, com reforço de pessoal da Companhia de Caçadores 205 ( sediada no Lubalo ), elementos do Batalhão de Caçadores 1920, Companhia de Cavalaria 2331 e Apoio Aéreo da FAP, efectuaram-se mais duas operações, com população fiel na região de Caúngula, de que resultaram êxitos semelhantes aos anteriores, com inúmeras baixas ao inimigo ( IN).Regista-se a má qualidade da alimentação na sede da Companhia no Camaxilo e no destacamento de Caúngula, reflectindo-se na festa de Natal. Acresce ao Quadro Orgânico da Companhia o Furriel Miliciano SAM – José Manuel Rosado Pinto preenchendo a vaga deixada pelo Furriel Miliciano SAM – Arlindo da Silva Miguel.
Impulsionados pela dinâmica operacional do comando, inicou-se o mês de Janeiro de 1969 com redobrada movimentação nos patrulhamentos ( operações de quadrícula ), refletindo-se finalmente com a retirada de « Noé » e do seu grupo, calculados em cerca de 300 elementos UPA para outras zonas, já relativamente distantes da região do Zôvo ( Caúngula ).No mês de Fevereiro de 1969, não se reduziu a actividade das nossas tropas ( NT ) mantendo-se estreita vigilância sobre a zona fronteiriça, colaborando com as populações civis. Neste mês, a Companhia completou o seu primeiro ano, na sua zona de intervenção. De referir que, o Furriel Miliciano SAM – José Manuel Rosado Pinto por terminando a sua comissão de serviço, foi substituido pelo Furriel Miliciano SAM – Carlos Manuel Ribeiro Ferreira.
Durante o mês de Março de 1969, a Companhia, apoiada por uma importante rede de informações, continuou com frequentes patrulhamentos na totalidade da sua zona de intervenção, contribuindo para que a população civil se sentisse segura em relação aos bandoleiros da UPA. Quanto aos assuntos internos da unidade, o problema das instalações, da alimentação, do mau estado das picadas e pontões, não ficaram de acordo com os desejos e necessidade do pessoal. Houve alterações no Quadro Orgânico, com a evacuação para a Metrópole do 1º. Sargento de Cavalaria João Pereira e do 1º. Cabo Atirador Vasco Manuel Moreira Pestana, ambos por motivo de saúde. No decorrer do mês de Abril de 1969, após obtenção de informações fornecidas pela PIDE/DGS, apresentaram-se à Companhia na zona de Caúngula ( Xinganhima ), os primeiros elementos inimigos do grupo « Noé », com o respectivo material de guerra, que incluiam um lança-granadas foguete, espingardas automáticas e diversas granadas de mão e munições.Dado o mau estado das picadas para Henrique de Carvalho, verificaram-se irregularidades nos abastecimentos de géneros, com consequentes prejuízos para a Companhia. Contrariando todos esses problemas, o pessoal da unidade, por força do seu esforço físico e empenho demonstrado em diversas operações, foi-se aureolando de boa fama pelas forças militares vizinhas e também pelas populações civis.No mês de Maio de 1969, há a registar a apresentação de mais uma elemento da UPA vindo de Shauianga, trazendo consigo duas granadas de mão ofensivas e algumas munições. Como reflexo da acção psico-social junto das populações, apresentou-se o « soba » do aldeamento Funda que anteriormente havia fugido com toda a sua família para a República Democrática do Congo e também se regista o regresso dos primeiros habitantes do aldeamento Zôvo, estes sem o seu « soba ». As nossas tropas ( NT ) deram o seu apoio à populações em assistência sanitária e no transporte de adobo, água potável e mandioca para os aldeamentos da região.Durante o mês de Junho de 1969, manteve-se a operacionalidade dos meses anteriores. Entretanto a Companhia efectuou melhorias nas condições internas, com obras nas casernas e principalmente na cozinha e refeitório das praças, onde se conseguiu um razoável bem estar e condições satisfatórias de higiene. Efectuados também melhoramentos nas vias de comunicação da zona de intervenção da Companhia.De referir que, neste mês, houve a promoção a Tenente do Alferes Miliciano Médico Jorge Henriques Simões Abrantes Frazão de Aguiar, que entretanto foi substituido pelo Capitão Miliciano Médico João Carlos Frota Matos Moreira.Em Julho de 1969, a Companhia continuou com constantes e intensos patrulhamentos, a exercer o domínio completo e total de toda a sua zona de acção, reforçando o apoio às populações civis, controlando bem as apresentações das populações fugidas. Também foram fiscalizados o retorno de civis que se movimentavam na área, após o final de contrato com a Companhia dos Diamantes de Angola ( Diamang ).O mês de Agosto de 1969, trouxe a apresentação de ex-combatentes do grupo « Noé » trazendo uma pistola metralhadora, diversas granadas de mão ofensivas, munições e propaganda subversiva. Para a sanzala Zôvo, foi destacada uma secção reforçada das nossas tropas , que manteve a sua presença no aldeamento, afim de proteger a população civil de eventuais represálias do inimigo. Nesta protecção destaca-se o apoio do Destacamento de Caúngula . Neste período, efectivou-se a transferência para o Hospital Militar de Luanda ( HML ) do Capitão Miliciano Médico João Carlos Frota Matos Moreira, sendo substituído pelo Alferes Miliciano Médico Luis Filipe Flores Mourão.Finalmente em Setembro de 1969, houve uma grande melhoria no abastecimentos de géneros para a Companhia, pelo facto de ter sido alterada a sua proveniência. Em vez de ser abastecidos pelo Pelotão de Intendência ( P.INT ) de Henrique de Carvalho, passaram a ser abastecidos pelo Pelotão de Intendência ( P.INT ) de Malange, que estava sempre muito mais abastecido e com melhores acessos rodoviários. Deste facto resultou uma natural satisfação do pessoal, sendo a sua alimentação bastante melhorada.Durante o mês de Outubro de 1969, apresentaram-se às nossas tropas ( NT ) as restantes populações civis fugidas, lideradas pelos sobas Zôvo e Tximinha.Procedeu-se a mais uma alteração no Comando da Companhia, com a transferência para o Quartel General ( QG ) da Região Militar de Angola ( RMA ) do Capitão de Artilharia José Henrique Rola Pata, sendo substituído pelo Capitão de Infantaria Manuel Óscar de Barros Rosário. Conforme o sucedido em anteriores alterações, a Companhia, após um período inicial de adaptação, reagiu bem ao novo comandante, continuando a demonstrar a sua operacionalidade. Acentuou-se neste período a melhoria da alimentação referida em anterior relatório.No decorrer do mês de Novembro de 1969, operou-se uma nova intensidade operacional, com constantes patrulhamentos em toda a zona de acção da CCAV 2332 . Apoiados pela colaboração da PIDE/DGS e uma forte rede de informações, foi lançada a operação « FLORBELA » em que as nossas tropas ( NT ) empenharam um Grupo de Combate ( GC ) e interceptaram na zona de Caúngula, um grupo inimigo ( IN ) causando-lhe algumas baixas e apreensão de diverso material.
Regista-se que em Dezembro de 1969, houve a preocupação de realizar melhoramentos nos diversos locais da Sede. A moral dos militares elevou-se com as obras no Refeitório, na inauguração da Cantina/Sala do Soldado « Tarata Bar » e ainda com melhorias no Parque-Auto. Reporta-se que devido à grande pluviosidade, registaram-se estragos muito consideráveis nas picadas da Zona, contribuindo para um desgaste de pessoal e material.O Quadro Orgânico da Companhia sofreu nova alteração, havendo a referir a transferência para o Hospital Militar de Luanda ( HML ) do Alferes Miliciano Médico Luis Filipe Flores Mourão, sendo substituído pelo Alferes Miliciano Médico Rodrigo Dias Guerreiro Boto.No dia 27 de Janeiro de 1970, concluiem-se dois anos de Comissão.A CCAV 2332, não abrandou a sua presença na zona de acção, prestando aos diversos serviços de apoio aos aldeamentos entretanto recuperados ( transporte de água potável, lenha e mandioca proveniente das lavras ), prestando ajuda médica e fiscalizando os procedimentos de auto defesa das aldeias, quer criando abrigos, quer instalando torres de vigilância na periferia.Houve da parte de todos os elementos desta Companhia, o sentimento do dever cumprido, cumprindo com o melhor que puderam e dispunham, a sua comissão de soberania no Ultramar.Regista-se a visita à Sede da Companhia, do Exmo. Comandante do Batalhão de Caçadores 2843.Durante o período compreendido entre Fevereiro e Março de 1970, a Companhia não reduzindo a sua capacidade operacional, começou a preparar a sua substituição.Em __ de Abril de 1970 ( dia desconhecido ), chegou ao Camaxilo a Companhia de Artilharia 2672 que ostentava o lema ( TIGRE – Não Tememos . Ousamos ).Esta unidade irá assumir em breve, a zona de Intervenção deixada pela CCAV 2332.De __ a __ de Abril de 1970 ( dias desconhecidos ), foi efectuada a sobreposição e a rendição da CCAV.2332 pela nova unidade.No dia 10 de Abril de 1970 ( data não confirmada ) com partida do Camaxilo, iniciou-se ( em coluna militar composta por 10 viaturas civis fretadas ) o regresso a Luanda, via Malange.Em 12 de Abril de 1970 ( data não confirmada ) , a coluna chegou a Luanda e ficou instalada no Campo Militar do Grafanil ( nos arredores da capital ).Em 14 de Abril de 1970, no Cais de Luanda, a Companhia embarcou a bordo do navio « Uíge» para a viagem de regresso com destino a Lisboa.De 15 de Abril a __ de ______ de 1970 ( datas a inserir ), ficaram em Luanda, alguns militares da CCAV 2332 ( 1º. Cabo Emílio Melo Pereira e nomes a inserir ) que, fazendo parte da Comissão Liquidatária da Unidade sob o comando do Capitão de Infantaria Manuel Óscar de Barros Rosário, regressaram mais tarde à Metrópole.No período entre 14 e 26 de Abril de 1970, foi efectuada viagem a bordo do navio « Uíge » sem incidentes a registar, referindo-seapenas a incerteza do navio ter necessidade de aportar a Bissau para evacuar um militar embarcado ( de uma outra Companhia ) que foi acometido por uma peritonite. Infelizmente tal desvio não foi necessário, pois o referido militar não resistiu e faleceu durante a viagem.Finalmente, pelas 04h30 da madrugada de 26 de Abril de 1970, o navio « Uíge » parou máquinas e fundeou ao largo da barra de Lisboa ( viam-se a luzes da cidade ), ficando a aguardar instruções para atracar.De manhã pelas 08h00, o navio entrou no Tejo e acostou às 10h00 no Cais da Rocha Conde de Óbidos, onde uma multidão aguardava e acenava aos militares.Procedeu-se a uma cerimónia de boas vindas, efectuou-se uma formatura e desfile militar, sendo prestada a continência e devidas honras militares ao Excelentíssimo Oficial General, em representação de Sua Excelência o Ministro do Exército.De imediato os militares se dirigiram ao Regimento de Cavalaria 7, onde levantaram as suas licenças de desmobilização.No dia 27 de Maio de 1970, todos os elementos do Quadro Complementar, passaram à situação de disponibilidade ( Conforme averbamento na Caderneta Militar ).
Voltar ao Topo Ir em baixo
http://militaresportugal.forumeiros.com
NE
Admin
Admin


Mensagens: 110
Data de inscrição: 21/05/2009
Idade: 40
Localização: Margem Sul

MensagemAssunto: Grupo de Cavalaria nº 1 -"Dragões de Angola"   Sab Out 17, 2009 7:23 pm



As tropas de Dragões - no sentido original e não honorífico do termo - ressurgiram no Exército Português, no contexto da Guerra do Ultramar. Em 1958 foi criada a primeira unidade da arma de Cavalaria, sedeada em Angola (Luanda) desde logo adoptando a designação de "Dragões de Angola". Posteriormente veio a ser criado o Grupo de Reconhecimento de Angola, (mais tarde designado por Grupo de Cavalaria nº 1 ou GCav1),com sede na cidade de Silva Porto (Bié), integrando esse Esquadrão e dado origem à constituição de mais 2 esquadrões operacionais e um esquadrão de comando e serviços. Em Luanda ficou sedeado o ECav401 (1º Esquadrão), em Silva Porto o ECS e o ECav402 (2º Esquadrão) e na cidade do Luso o ECav403 (3º Esquadrão). Estas unidades estavam equipadas com blindados Panhard (EBR e ETT) de origem francesa, que haviam sido sujeitos às necessárias adaptações ao teatro operacional. Mais tarde foram também integradas unidades blindadas, de características diferentes, as AML. Esses veículos eram, preferencialmente utilizados em escoltas a colunas (militares ou civis), designados por MVL. Em 1966, devido às condições de combate no Leste de Angola, o Comando do Exército Português decidiu então criar um pelotão experimental a cavalo. Essa unidade mostrou-se ideal para a actuação na região, pois os militares a cavalo tinham uma boa visão do terreno coberto por capim elevado, conseguindo fazer uma aproximação silenciosa às forças inimigas. O armamento padrão da unidade era uma espingarda G3, para uso em combate apeado, e uma pistola Walther P38, para tiro a cavalo. O seu sucesso foi de tal monta que a unidade experimental deu lugar a três esquadrões a cavalo, integrados no já citado GCav1. O GCav1 veio também a integrar uma unidade de atiradores de cavalaria, designada por CCav1407, com sedeado na povoação do Andulo. Esse sucesso incentivou ainda, no início da década de 1970, a criação de uma unidade deste tipo em Moçambique. Na atuação dos dragões destaca-se as operações onde estes "empurravam" as forças inimigas numa direção, as quais eram, posteriormente, cercadas por tropas, lançadas de helicóptero na retaguarda daquelas.
Voltar ao Topo Ir em baixo
http://militaresportugal.forumeiros.com
 

Guiões / Crachás e breve história de Unidades de Cavalaria no Ultramar

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo 
Página 1 de 1

 Tópicos similares

-
» breve intrudução
» Fazer uma história
» História MM e LP - a fuga da Sofia
» Elfen Lied-a história
» Se você fosse Akira Toryama Qual seria a história do nome filme de Dragon Ball Z, a ser lançado em 2015 ?

Permissão deste fórum:Você não pode responder aos tópicos neste fórum
MILITARES DE PORTUGAL ::  :: -